A Solidão é a Doença do Ser do Nosso Tempo.

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A Solidão é a Doença do Ser do Nosso Tempo. Num mundo cada vez mais acelerado, hiperconectado e aparentemente cheio de estímulos, há um vazio silencioso que cresce dentro de muitas pessoas. Um vazio que não se resolve com mais notificações, mais conversas ou mais distrações. Um vazio que pede algo mais essencial: presença.

Na prática de Reiki, encontramos frequentemente esta realidade. Pessoas que chegam cansadas, ansiosas e desconectadas; não necessariamente dos outros, mas de si mesmas; e é precisamente aí que começa a verdadeira cura: no regresso a casa, ao corpo, à respiração e ao momento presente.

As palavras de Thich Nhat Hanh, mestre budista e uma das maiores referências da atenção plena, trazem uma clareza desarmante sobre este tema. Ele não só identifica a raiz da solidão moderna, como aponta um caminho simples, acessível e profundamente transformador.

Ler este texto não é apenas compreender uma ideia; é um convite à experiência direta.

A solidão é o ser doente do nosso tempo. Nós sentimo-nos muito sozinhos, mesmo estando rodeados de muitas pessoas. Estamos sozinhos juntos. Há um vácuo dentro de nós e não nos sentimos confortáveis com esse tipo de vácuo, então tentamos preenchê-lo através da ligação com outras pessoas. Acreditamos que quando nos ligamos com outras pessoas o sentimento de solidão vai desaparecer. E a tecnologia providencia-nos vários mecanismos para nos ligarmos, para nos mantermos ligados, e nós mantemo-nos ligados mas continuamos a sentirmo-nos sozinhos. Nós verificamos emails várias vezes ao dia, nós enviamos emails várias vezes ao dia, nós publicamos mensagens diversas vezes no dia, queremos partilhar o que vemos, e estamos ocupados, ficamos ocupados o dia todo para nos ligarmos, mas isso não ajuda, não reduz a quantidade de solidão em nós. Isso é o que acontece neste momento na nossa moderna civilização. O nosso relacionamento não está bem. Não estamos num bom relacionamento com o nosso parceiro, com o nosso irmão, com a nossa irmã, com os nossos pais, com a nossa sociedade. Sentimo-nos muito sozinhos, e temos usado a tecnologia para tentar dissipar esse sentimento de solidão, mas não conseguimos. Na tradição da Plum Village*, cada vez que nos sentamos no nosso lugar, é para nos ligarmos com nós mesmos, porque na nossa própria vida estamos desligados de nós mesmos. Nós andamos e não sabemos que estamos a andar, estamos lá mas não sabemos que estamos lá, estamos vivos mas não sabemos que estamos vivos. Estamo-nos a perder de nós mesmos, não somos nós mesmos. E isso está a acontecer quase o dia inteiro. Por isso o ato de sentar é um ato de revolução. Quando se senta, corta esse estado de estar perdido e de não ser quem é mesmo, e quando se senta, se liga consigo mesmo. Não precisa um iphone ou de um computador para fazer isso. Só precisa de se sentar conscientemente e respirar, conscientemente. E em apenas alguns segundos, liga-se consigo mesmo e sabe o que se está a passar. O que se está a passar no seu corpo, o que se está a passar nos seus sentimentos, nas suas emoções, o que se está a passar com as suas percepções e assim por diante. Já está em casa.

*Plum Village – Comunidade Espiritual fundada por Thich Nhat Hanh

Thich Nhat Hanh, “A Solidão é a Doença do Ser do Nosso Tempo”

solidão Thich Nhat Hanh

Talvez uma das mensagens mais importantes deste ensinamento seja esta: a solidão não é apenas ausência de outros, é ausência de nós próprios.

E é aqui que o Reiki se revela como prática profundamente alinhada com esta visão. Quando colocamos as mãos sobre o corpo, quando paramos e respiramos conscientemente, estamos a fazer exatamente este movimento de regresso. Não estamos a “fazer” algo complexo, mas a lembrar-nos de estar no momento presente.

A energia flui onde há presença, e a presença nasce quando deixamos de fugir.

Num tempo em que tudo nos convida a sair de nós, sentar, respirar e sentir torna-se um verdadeiro ato de transformação interior. Não exige tecnologia nem esforço excessivo, apenas disponibilidade.

Voltar a casa pode começar agora, num simples instante de consciência.